A dúvida sobre continuar ou terminar um relacionamento é, muitas vezes, mais dolorosa do que o término em si. A ambivalência — o sentimento de amar alguém mas não suportar mais a dinâmica da relação — gera um nível de estresse que adoece emocionalmente as duas partes.
Como saber se vale a pena lutar pela relação ou se é hora de iniciar o luto do término?
O que caracteriza uma Crise em um Relacionamento?
As crises são inerentes a qualquer vínculo de longo prazo. Elas geralmente surgem de transições de vida (chegada de filhos, perda de emprego, mudanças bruscas) ou de falhas crônicas de comunicação. Na crise, o incômodo está presente, mas ainda existe um desejo genuíno de consertar as coisas. As discussões, por mais explosivas que sejam, ainda buscam uma solução.Sinais de que pode ser o fim (e não apenas uma crise)
A psicologia relacional aponta alguns "marcadores" que indicam que a relação pode ter entrado em um estágio irreversível.1. O Desprezo e a Indiferença
John Gottman, grande pesquisador de relacionamentos, aponta o desprezo como o maior preditor de divórcio. Quando a raiva se transforma em deboche, cinismo ou indiferença fria, a base do respeito foi rompida. O oposto do amor não é o ódio (o ódio ainda demanda energia e apego); o oposto do amor é a indiferença.2. A Solidão a Dois
O sentimento de profunda solidão mesmo estando deitado na mesma cama que o parceiro(a) é um forte indicativo de desconexão emocional severa. Vocês não compartilham mais o mundo interno um do outro.3. Ausência de Reparação
Em relacionamentos saudáveis, as pessoas brigam, mas conseguem reparar a ferida depois (com desculpas, humor ou afeto). Em relacionamentos que estão acabando, a reparação deixa de existir. As feridas ficam abertas e o ressentimento acumula.Comentário da Psicóloga: O Medo do Luto
Na terapia individual, percebo que muitas pessoas prolongam relacionamentos falidos não por excesso de amor, mas por medo do luto. Desfazer uma vida construída a dois exige muita coragem. É preciso chorar a morte não apenas do parceiro(a), mas também da versão de si mesmo(a) que existia naquela relação.Se você se encontra nesse labirinto de indecisão, o espaço analítico é o local ideal para organizar esses afetos. A psicoterapia não toma a decisão por você, mas fortalece a sua estrutura interna para que você consiga sustentar qualquer que seja a sua escolha: seja o difícil trabalho de reconstrução da relação, seja o doloroso processo de luto do fim.
